terça-feira, 18 de março de 2003

Ao dileto Robert Andare, que comentou um dos últimos posts:

Você chegou a ler o meu blog? Por acaso viu que não tem nenhuma, nenhuminha mísera foto? Nem matéria, nem viagem, nem nada! Que maneira idiota de convidar alguém a visitar o seu blog. Não vou até lá, não vou votar, nem comentar nada. Isso é carência demais.

Se eu andasse com um caderninho, com certeza teria mais o que dizer neste blog. Todo dia eu vejo uma coisa estranha que devia estar aqui. Só de andar de ônibus!

Da última vez, os passageiros de um apertado 269 fizeram o motorista interromper a viagem em plena serra Grajaú-Jacarepaguá para que uma apertada menina fizesse suas necessidades na beira da estrada. Cruzes! Em que mundo bizarro eu vivo?!

Quanto tempo não venho aqui. Tenho deixado esse blog desatualizado. Ok, vamos começar pelas fofocas: ontem, fui a um vernisage. Cheguei em casa trôpego e acordei com ressaca. Mas valeu a pena. Foi no CCBB. A estréia de Rembrandt. Graças à Carol. Visitem. A parte que eu lembro da exposição está muito boa.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003

Acerto de contas

Um dia, como todos os que lêem este blog, eu vou morrer. Já posso até me ver, sentado às portas do purgatório, esperando pelo julgamento. Só Deus sabe se eu vou para o Céu, ou para o Inferno, com o perdão do trocadilho. Dali a pouco, vai se sentar um sujeito curvado, com a roupa longa, branca e puída do meu lado. O rosto cansado se torce, enquanto ele acha espaço do meu lado. Ele traz um bloquinho na mão esquerda e uma caneta, na direita. Vai me olhar e dizer:

-Você é o Pedro, não é? Muito prazer, sou Chavachiach, seu anjo da guarda - Vou tremer ao ouvir isso. - Vamos acertar nossas contas.

Eu sei bem que a lista é longa. Teve cada uma. Só a quantidade de vezes que eu devia ter caído de abismos, pedras, cachoeiras e alturas afins nas minhas trilhas... E os assaltos? Cada coisa que me acontece. Sei que todo mundo tem história de assalto violento para contar, mas tem coisas que só acontecem comigo. Alguém aqui já enfrentou arma na cabeça e reagiu? O sujeito atirou e errou! Foi o manto do anjo que me protegeu. Ele vai me mostrar o furo que ficou no lugar.

E uma vez, lá ia eu a uma festa na casa da Carol, linkada aí do lado. Como bom convidado, levava uma caixa de cerveja e o meu violão nas costas. No bolso, o dinheiro de duas aulas, que deveria durar por toda a semana. Além desse dinheiro, alguns trocados para o ônibus. Vem o sujeito, no ponto de ônibus escuro e deserto e me pára. Mostra a arma na cintura. Não tem como fugir, mas não estou disposto a perder meu dinheiro. O que fazer? Inventar uma história:

-Rapaz, eu toco num hotel, lá na Zona Sul. Se você me esperar, na volta eu vou ter dinheiro, mas agora, só tenho o dinheiro da passagem e essa cerveja. Você quer cerveja?

-Não. Só dinheiro - ele fica nervoso.

Eu coloco a mão no bolso e rezo. Se sair uma nota graúda, minha mentira vai por água abaixo. Foi a mão do anjo que tirou aquela nota do meu bolso. Era uma nota de R$ 1,00. Ele mostra a mão. Coitado, teve que lavar com desinfetante. Essa história de que anjo não tem sexo é só história e o meu bom e velho anjo da guarda é um anjo espada. Além disso, pediu para eu não contar aos superiores que andou metendo a mão dentro de bolso de marmanjo.

Voltando à violência, eu entreguei a nota. Como ele achou pouco, pegou a caixa de cerveja, também. Eu decidi pelo blefe supremo. Dei as costas e comecei a andar. Ele gritou atrás de mim "onde você vai?"

-Vou para casa. Você pegou o único dinheiro que eu tenho e preciso ir trabalhar.

A frase que ouvi foi a menos esperada em toda a minha longa vida de habitante de uma grande capital violenta:

-Peraí. Também não é assim. Toma seu dinheiro de volta. Vai trabalhar.

Ainda descrente, peguei a nota. Foi o anjo que sussurou no ouvido do meliante. Humilhação suprema. Além de enfiar a mão no bolso alheio, fica sussurrando em ouvido de barbado. Mas eu sou abusado e não me dei por contente. Inventei que a cerveja era para o pessoal da banda. Cada semana, um tinha que levar para os outros e era meu dia no rodízio. Ele se abraçou à caixa, como se para proteger, sei lá. Eu insisti, mas regateei por levar apenas uma. Surpresa suprema: ele assentiu.

Eu devo ser, mesmo, um teste de paciência para qualquer anjo da guarda. Aliás, um teste físico, também. Será que, no fim dessa conversa, ele não vai me dizer um solene "vai para o inferno"? O céu treme e ele arremeda "não literalmente, claro..."

Tem gente reclamando do ar pederasta de um post recente. Está bem, está bem. Eu confesso, foi um surto. Mas isso passa. Apesar de eu gostar de roupas e gostar de cozinhar, isso passa.

Quanto às crônicas, por favor, paciência. Prometo uma no fim de semana, ok? Está na cabeça. É só digitar. Mas eu chego em casa com tanto sono que sinto preguiça.

Pronto! Agora podem reclamar da bahianidade.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2003

Minha namorada torceu o pé. Está de botinha. Por alguma estranha razão, ela se recusa a vestir roupas sensuais e posar de go-go girl para um pin-up.

Vou tentar melhor. Vou prometer o sucesso e dizer que vou lançar a foto na internet. Será que cola?

Nunca entndi direito essa conduta que as boas moças têm.

domingo, 16 de fevereiro de 2003

Eu esperei a chuva. Ela bem que podia ter vindo. Todo mundo sabe que gosto de chuva. Esse calorão é insensato. Não há nada que o justifique. Chego em casa e pareço ter que torcer a roupa, para secar.

Falando em roupa, a calça que eu comprei na Zara este fim de semana é maravilhosa. Sei que é gay falar de roupa no blog, mas não posso fazer nada. Fiquei parecendo aqueles sujeitos de passarela. Grande escolha da Estela.

E foi útil. Acho que foi essa roupa que fez o Quintino pegar a Juliana. Mandaram bem!!

E, para concluir, uma frase lapidar: put a finger in your ass e la vita ti sorridera. Coisas que minha família ensina, lá em Trieste...

Está bem, está bem. Sei que queremos nudez gratuita, mas essa Andrea do BBB3 é um teste de paciência. Tem dó!

Mais retoque que ela, só aquela infeliz que lançou um morteiro no goleiro peruano (ou boliviano, ou chileno, ou...) no Maracanã, uns anos atrás e saiu na Playboy.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003

A melhor parte do meu dia, ontem, foi acordar, olhar para o lado, e ver que a Estela estava deitada no meu colo. O trabalho tem me consumido e, às vezes, eu esqueço de mostrar a ela como o mundo fica insípido sem ela.

Preciso fazer isso mais vezes. Na verdade, as duas coisas: acordar com ela e estar mais presente.

Depois de ler os comentários do último post, só tenho uma coisa a dizer: eu só faço levar bronca...

Por que, diabos, ninguém acredita quando eu digo que estou atolado em trabalho? É verdade. Se vissem a pilha de papéis em volta deste lap top, vocês teriam noção.

Mas eu volto, gente. Eu volto.

Calma!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2003

O e-mail de um amigo. Está na íntegra. É para isso que existe este blog!!

Fala Camarada!!!

Estou aqui na escravidão da PwC e resolvi dar uma olhada na sua
vida...hehehehehe...viu como eu gostei dessa parada de blog?

Como vc não atualiza seu blog há algum tempo, resolvi olhar os links que vc
disponibiliza...me amarrei principalmente no da Renata (se é que esse é o
verdadeiro nome da figura)...principalmente pela início, o qual transcrevo:

"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir,
de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca".
- Clarice Lispector -

Isso é lindo, cara!!! Me amarro em poesia e essa é de um primor ímpar.
Depois pude perceber que alguns conflitos existenciais que enfrento fazem
parte da bida da maioria da galera...um lance meio 26 anos e aí? o que
fiz? o que tô fazendo, saca? Me amarrei.


De qquer maneira, vê se escreve algo novo...vc anda sem inspiração....mande
beijos e/ou abraços meus aos seus amigos de blog...diga que me amarrei em
conhecê-los e que continuem buscando, afinal a maioria das pessoas maneiras
que eu conheço não têm a menor idéia do que estão fazendo e dizem que os
caras de 40 anos que são gente boa, também não descobriram...só nos resta
viver.

Grande abraço saudoso,

Augusto

PS: um pensamento: "Cada vez que um ser humano faz algo errado, todos nós
também fazemos; o que acontece ao redor da Terra é um reflexo das emoções
de cada um dos seus habitantes.
Nós estamos em todos, e todos estão em nós. O poeta e o criminoso vivem no
coração de cada homem."

Sei que tem tempo que eu não apareço. Acontece que o trabalho anda puxaaaado. Peço desculpas a todos. Assim que a coisa aliviar (não pensem bobagem!), eu volto. já tenho até assunto para blogar.

Para os que sentem saudade das crônicas, elas estarão de volta.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2003

Depois de pedir para usar a frase dele, ele me escreveu outro imêio. Dentre outras coisas, autorizou o uso da tal citação (leia abaixo). Agora, o legal são as outras coisas. Ele confessou não gostar muito da idéia de ficar bisbilhotando diários virtuais alheios. Não tiro a razão do sujeito. Afinal, é um voyeurismo sem tamanho.

Mas o barato é que eu mudei a opinião dele. Ele gostou daquilo que ele diz que é minha "inquietude". Acho que vai começar a visitar pelo menos este blog mais frequentemente. Espero que sim. Só acho melhor ele não fazer muitos comentários depois dos meus posts. Senão, vai ter gente desistindo de ler os posts para ler os comentários sempre pertinentes dele.

O curioso é que nunca tinha me considerado inquieto. Meio cri-cri, talvez. Gosto de pensar as coisas sob vários ângulos. Daí vem o nome do blog. Mas nunca tinha me visto como inquieto. Ainda assim, acho que me cabe bem a observação. Nunca fico parado no mesmo lugar. Nem minhas considerações sobre as coisas são permanentes. Nem acho que eu deveria ser.

Afinal, não é por ser inquieto que o mundo gira?

Dia desses recebi um e-mail genial de um amigo que não via faz tempo. Tinha uma frase brilhante. Perguntei se podia usar e ele assentiu. Lá vai:

SEXO É COMO UM JOGO DE CARTAS: SE VOCÊ NÃO TEM UM BOM PARCEIRO, É MELHOR TER UMA BOA MÃO.

Sabedoria lapidar do Espanhol...

Finalmente posso opinar sobre o BBB. Saiu aquela miss. O público masculino só teria a ganhar, de qualquer maneira. Se ela ficasse, tinha prometido banho peladona. Saindo, já está para aparecer no Paparazzo e garanto que é capa da Playboy em dois meses.

Vai ter alguma mulher lendo esse post e dizendo, com o nariz torcido: "ela põe silicone no peito". Francamente, eu não ligo.

Como diz o Quintino, queremos nudez gratuita! E na internet, toda nudez é gratuita...

sábado, 25 de janeiro de 2003

Sexta-feira, aí pelas onze horas da noite, eu aperto a tecla Enter pela última vez em uma planilha. Acabara de montá-la. Era consideravelmente grande.

O computador estala, a lâmpada do quarto se apaga. A tela fica negra. Blackout trazido pela chuva.

Eu não tive tempo de salvar nada.

Em 15 minutos a luz volta.

Isso é provocação.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2003

Aliás, o Arnold Schwapwejwovreoinmeogiwrogineger também volta às telas com um sucesso do passado: O Exterminador do Futuro III.

Daqui a pouco vai faltar bomba para essa turma toda. Estou só esperando aparecer algum do Stephen Seagal, ou do Chuck Norris.

Parece conversa, mas é sério. Silvester Stallone vai estrear mais um filme da séria série Rambo. Dessa vez, o mocinho bruta-montes vai até o Afeganistão. Ué? Ele já não fez isso? Fez, mas dessa vez é diferente.

Em Rambo III, o herói que sofre de paralisia facial foi lá, buscar seu mentor que havia sido seqüestrado e, de quebra, derrubar o poder soviético na região.

Em Rambo IV, aparentemente, o herói marombado se arrepende de seus feitos 15 anos depois. Com a queda do regime comunista, sobe ao poder uma facção neurótico-sanguinária-terrorista chamada Talebã. Nosso soldado feioso vai até lá e, pasmem, dá uns sopapos pessoalmente em Bin-Laden.

Deu no jornal. É sério. Tira esse risinho do rosto. É verdade.

Por que ninguém me acredita quando eu conto isso?

Aos fãs da obra de Tolkien, sugiro o site Lond Daer. Traz um bom material sobre lingüística, geografia e datação na Terra-média. O melhor site que encontrei sobre o assunto.

Essa chuva. Cai, ou não cai? Quente, ou frio?

Vai entender S. Pedro!

Acabam de chegar as fotos da Thais, do BBB3.

Ela ainda usa aparelho. Que desgosto!!

terça-feira, 21 de janeiro de 2003

Diálogo de sexta-feira, travado entre mim e minha namorada:

-Temos onde passar o carnaval. Vamos para Diamantina (MG). O lugar é lindo - eu comecei.

-Você sabe como é o carnaval em Diamantina? - ela inquiri.

-Claro! Muito bom!!

Meio transtornada, ela pergunta, concedendo o benefício da dúvida:

-Como é?

-Calmo, sereno. Vamos acampar, nadar nas cachoeiras - e eu disse outras divagações bucólicas e inocentes.

Com isso, ela pacientemente me explicou que é a perdição total. Cruzes! Eu quero sossego!! Mas acho que tenho outra opção para nós. Inda bem que minha namorada é calma o suficiente para me explicar as coisas.

No fim de semana, eu tive um sonho, ou um delírio. Foi bacana, mas estranho. Aquelas coisas que vêm na cabeça da gente, antes de acordar e depois de dormir. Eu vi uma capa da revista National Geographic. Sempre tem uma foto maravilhosa na capa. Lindas paisagens, animais exóticos... Dessa vez, não vinha nada. Era dedicada ao Iraque. A capa era branca. A logo e o nome estavam no alto, impressos em prata. O título vinha embaixo, também em prata: Paz.

Gostei da idéia. Podia ser usada de verdade. Afinal, aquele país já se chamou Mesopotâmea! Eu tenho uma peça arqueológica de lá aqui em casa (ninguém pode saber, porque é verdade e foi roubada de lá). Dá para sentir a energia de milênios naquele pequeno touro de bronze. Tomara que não bombardeiem nada por lá.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2003

Assunto da semana: estréia do BBB3. Francamente, eu não dou a mínima.

Meu único papel é esperar pelas fotos da Playboy. Aí sim, terei opinião a expressar.

Meu trabalho tem internet a cabo e não tem firewall.

Maravilha!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2003

Hoje, depois de muito tempo, fui ao restaurante de sempre. Sentei à mesa de sempre. A garçonete de sempre veio me servir. Eu faço um pedido meio complicado.

Ela olhou para mim: "o de sempre?"

Adoro ser reconhecido!

Acho q agora está tudo em ordem. Gostei do visual novo.

Vou deixar de surpresa para a Estela. Quero ver o que ela vai dizer quando encontrar. Ela já viu o rascunho. Quero ver o q acha do final.

É bacana ver a mesma casa com os móveis em lugares diferentes. De vez em quando a gente fazia isso aqui em casa. Minha avó dizia que era para espantar os duendes que viviam atrás dos móveis.

Mundo antigo...

O Haloscan só pode estar de sacanagem com a minha cara.

Templeite novo. Eita, que beleza!

terça-feira, 14 de janeiro de 2003

É possível que eu crie um lay out novo para este blog. Ele anda um lixo. Mas não se assanhem: a decisão não é definitiva.

Carol, a.k.a. Celta, quer namorar. Esperei 10 anos para ouvir essa frase dela.

Deus me livre!

Essa chuvinha é boa. Andar pelo Centro debaixo d'água é bom...

Dá gosto vestir terno.

Sim, voltei a usar terno. Voltei a trabalhar feito gente séria. Só meu salário não é sério.

Puxa! Eu posso falar rápido!!!

Ontem o blogspot comeu um post meu. Não vou reescrever. Era muito longo. Só pensem em como é bom amar o próximo e vão ter entendido a mensagem.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2003

Nada como soltar os cachorros, para esfriar a cabeça... Obrigado a quem leu o post anterior (ou vai ler, já que a ordem desse troço é inversa).

Vou nomear meus leitores meus terapeutas oficiais. Tudo vai melhorar, depois que eu mergulhar no Arpoador, amanhã.

Depois de um longo e tenebroso inverno, cá estou eu.

Inverno? Que inverno? Acho que eu devia dizer inferno. Onde já se viu? Quem precisa de 40º C de calor? Quem precisa de chuva que só deixa o tempo mais abafado? E que, de quebra, alaga a minha rua?

Aliás, quem precisa de tanta garrafa PET, que fica aparecendo na areia, depois? O mar, eu sei que não precisa. Gente imunda!

Quem precisa ficar suando pelas ruas do Centro? Olhar em volta e ver um bando de gente brilhando e nenhum deles é elfo!

É verdade, estou mal humorado. E daí?

sexta-feira, 3 de janeiro de 2003

Lá fui eu assistir à reapresentação de O Grande Ditador, de Charles Chaplin. Cineminha, escurim, com a namorada. Nada de melhor. Não resisti. Tive que buscar e copiar o discurso final aqui no blog.

É um apaixonado discurso sobre os perigos de se impor a razão fria sobre as emoções. Sobre aquilo de que se compõe não o homem, mas a humanidade.

Ficou em inglês, mesmo. Se fosse em japonês eu manteria em japonês. Quem achar que deve ser traduzido, é só pedir nos comentários. Eu faço a tradução e publico. De todo jeito, leia com atenção.

The Jewish Barber: I'm sorry but I don't want to be an emperor. That's not my business. I don't want to rule or conquer anyone. I should like to help everyone if possible; Jew, Gentile, black men, white. We all want to help one another. Human beings are like that. We want to live by each others' happiness, not by each other's misery. We don't want to hate and despise one another. In this world there is room for everyone. And the good earth is rich and can provide for everyone. The way of life can be free and beautiful, but we have lost the way. Greed has poisoned men's souls; has barricaded the world with hate; has goose-stepped us into misery and bloodshed. We have developed speed, but we have shut ourselves in. Machinery that gives abundance has left us in want. Our knowledge as made us cynical; our cleverness, hard and unkind. We think too much and feel too little. More than machinery we need humanity. More than cleverness, we need kindness and gentleness. Without these qualities, life will be violent and all will be lost. The aeroplane and the radio have brought us closer together. The very nature of these things cries out for the goodness in man; cries out for universal brotherhood; for the unity of us all. Even now my voice is reaching millions throughout the world, millions of despairing men, women, and little children, victims of a system that makes men torture and imprison innocent people. To those who can hear me, I say "Do not despair." The misery that has come upon us is but the passing of greed, the bitterness of men who fear the way of human progress. The hate of men will pass, and dictators die, and the power they took from the people will return to the people. And so long as men die, liberty will never perish.
(In a passionate raging voice now)
Soldiers! Don't give yourselves to these brutes who despise you, enslave you; who regiment your lives, tell you what to do, what to think and what to feel! Who drill you, diet you, treat you like cattle and use you as cannon fodder! Don't give yourselves to these unnatural men---machine men with machine minds and machine hearts! You are not machines! You are men! With the love of humanity in your hearts! Don't hate! Only the unloved hate; the unloved and the unnatural. Soldiers! Don't fight for slavery! Fight for liberty! In the seventeenth chapter of St. Luke, it is written that the kingdom of God is within man, not one man nor a group of men, but in all men! In you! You, the people, have the power, the power to create machines, the power to create happiness! You, the people, have the power to make this life free and beautiful, to make this life a wonderful adventure. Then in the name of democracy, let us use that power. Let us all unite. Let us fight for a new world, a decent world that will give men a chance to work, that will give youth a future and old age a security. By the promise of these things, brutes have risen to power. But they lie! They do not fulfil that promise. They never will! Dictators free themselves but they enslave the people! Now let us fight to free the world! To do away with national barriers! To do away with greed, with hate and intolerance! Let us fight for a world of reason, a world where science and progress will lead to the happiness of us all. Soldiers, in the name of democracy, let us unite!
(Here, Chaplin pauses, seeming to gather himself, and the picture soon fades out to a scene of refugee Hannah (Paulette Goddard) with her family in a peaceful field, seemingly hearing his words.)
Hannah, can you hear me? Wherever you are, look up! Look up, Hannah! The clouds are lifting! The sun is breaking through! We are coming out of the darkness into the light! We are coming into a new world; a kinder world, where men will rise above their greed, their hate and their brutality. Look up, Hannah! The soul of man has been given wings and at last he is beginning to fly. He is flying into the rainbow! Into the light of hope! Look up, Hannah! Look up!

domingo, 29 de dezembro de 2002

Hoje, eu estou prolixo. É o que dá não me deixarem dormir...

Acabo de criar um novo link no meu blog. É para o blog do Quintino. Eu já venho lendo esse blog faz um tempo. Acontece que ele é o melhor amigo da Estela. Como eu não o conhecia, ainda, seria uma enorme buchice linkar o blog do cara, parecendo que estava tentando uma política de boas vizinhanças.

Agora, conheci o sujeito. É gente boa. Portanto, façam uma visitinha. Ele não escreve muito, mas vale esperar pelas novidades.

Aos cinéfilos, a dica: o melhor filme de terror que eu já vi foi A Espinha do Diabo (El Espinazo del Diablo - Espanha, 2001). Está rolando no Telecine, agora. Eu, que não gosto do gênero, acho este filme imperdível.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2002

Isso aí. Estou de volta, depois de uma generosa visita de Papai Noel.

Quintino tem me desmoralizado. Pô! Que vacilo...

terça-feira, 24 de dezembro de 2002

Imagina que você tem um daqueles quebra-cabeças de 8 mil peças. Aí, você monta 4 mil de um lado. Ao mesmo tempo, monta 4 mil de outro. Você terá dois grandes quebra-cabeças, um de cada lado.

Agora, imagine que você junta as duas partes/metades do quebra-cabeça, encaixando peça por peça, ao longo da vertical dele.

Se você for capaz de imaginar isso, é capaz de imaginar aquilo que somos eu e Estela.

Minha namorada acha que o céu é um sofá bem grande. Eu discordo. Acho que é um chão, pra gente se espichar. Em cima do chão, tem um sonzinho, pra gente escutar.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2002

Pedro vai cortar o cabelo

Esbaforido, eu passo em frente a um salão e vejo que ele está 25% mais barato que os outros em volta. Meu cabelo é ruim, então o corte também pode ser ruim, certo? Acontece que eu estava morrendo de pressa. Então, entro e peço para reservar um horário. A atendente responde que tem como fazer na hora. "Mesmo? Eu tenho que estar livre em meia hora", eu me certifico. "Claro, senhor", é a resposta.

Lá vou eu. Sento numa das cadeiras e espero vir o sujeito que vai encurtar meus pelos. É uma loiraça, de 1,80m de altura. Olha para mim e diz para acompanhá-la, para lavar o cabelo. Eu tremi nas bases. Eu sempre durmo nessa parte. Mexer na minha cabeça é me fazer dormir. Eu já dormi com um negão 3x4 lavando meu cabelo no salão ali do lado. Já até dormi na cadeira do dentista! Sim, mexer em q.u.a.l.q.u.e.r parte da minha cabeça me dá sono. Imagina se fosse aquela loira. O que ela ia pensar de mim? Eu tenho namorada, ora!

Aliás, assim que bati os olhos nela, percebi que tínhamos algo em comum: as raízes negras. E lá deitei eu naquela espécie de pia que eles têm nos salões. "Água fria, morna ou quente?". Naquele calorão, sempre gelada! É bom, que refresca a cabeça e as idéias. Vai molhando o cabelo. Ela enche a mão de xampu e começa a passar pela minha cabeça. Que tristeza. O pior cafuné do planeta. Acho que ela não gostava de cabelo, sei lá. Sei que foi a primeira vez na vida em que eu nem bocejei lavando a cabeça. Sim, eu bocejo até quando sou eu mesmo lavando a minha cabeça.

Já não se fazem mais loiraças como antigamente. Inda bem que eu tenho a minha morena. Aquilo sim é cafuné.

Importante lembrar: se você gosta de algum dos posts, se não gosta, se discorda, se concorda, se nada, muito pelo contrário, se você é apático, se é simpático, antipático, ou hepático, se acha que sim, se acha que não, se acha que depende, ou não acha, se isso, se aquilo,

COMENTE!!!!!!!

Ao Villas-Boas

Quem me conheceu no início do curso de Direito, sabia que o que eu mais queria fazer, naquela época, era diplomacia. Por causa dessa intenção, eu conheci uns nomes desde cedo. Esta semana, dois desses nomes partiram para o Oriente Eterno. Um foi Evandro Lins e Silva, antecedido por Orlando Villas-Boas. Ambos tinham muito a ensinar ao mundo da diplomacia. Curiosamente, cada um em um ângulo simetricamente oposto ao outro.

Os que me conhecem atualmente, sabem que eu sou um estudante de Direito muito relapso. Então, não vou fingir que estou mais comovido com Lins e Silva que com Villas-Boas. Quem quiser saber mais sobre Lins e Silva, pode ler um interessantíssimo artigo no blog da Estela. Eu sinto muito mais saudades de Orlando Villas-Boas.

Orlando e seu irmão, Claudio, decidiram lançar os braços da diplomacia para um país muito mais interessante do que qualquer outro: aquele onde nasceram. Decidiram lançar-se ao interior, buscando comunicação com gente que não falava nenhum idioma conhecido nas geografias de Henfil: o sulmaravilha e a Caatinga. Ou algum leitor saber responder à pergunta: nhe'enga Tupi? Pois eles sabiam. E decidiram aprender muito mais do que isso.

Decidiram levar aos povos isolados do Mato Grosso e da Amazônia as comodidades do mundo branco. Decidiram trazer aos mundo branco o universo que existia em sua própria esquina. Uma tarefa nada simples.

Tempos atrás, eu iniciei uma difícil pesquisa sobre a mitologia indígena brasileira pré-cabrália. Precisei de um livro de Orlando Villas-Boas. Fiquei maravilhado com a escrita. Ele possuía um estilo muito próprio. Era erudito, ao mesmo tempo que claro. Inteligente, ao mesmo tempo que direto. Não era redação de quem havia vivido a vida inteira no mato, comendo cobras com os nativos. Nem era literatura acadêmica, de quem havia passado a vida inteira trancado numa biblioteca, vendo índios pelas fotos do Mal. Rondon. Não. Era linguagem de quem tinha que se comunicar, a todo custo.

Recomendo a todos os meus leitores algum livro de Orlando Villas-Boas. Quem quer que queira saber o que é comunicação deve saber escrever e falar como ele. Esqueçam Chatô, nem pensem em Abelardo Barbosa. O maior comunicador que já pude encontrar faleceu faz menos tempo que isso. E também o grande diplomata. Não vejo glória maior que estabelecer embaixadas onde ninguém faz comércio, onde não há interesse no lucro. Só no Brasil.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2002

Então, eu não posso me dar uma semana de namorico e folga que a trupe vem pedir para eu voltar a escrever? O que é isso? Estão querendo encher a minha bola! Tem até gente da caatinga me mandando e-mail, cobrando notícias. Tem gente do sulmaravilha que veio dizer que o meu blog era o mais inteligente de um oceano. Claro! Peixe não bloga! E a razão para isso é simples: eles não têm polegares opositores. Se tivessem, garanto que qualquer celacanto teria mais a dizer que eu.

Vai ver se eu tenho blog com nome em latim; vai ver se eu escrevo estrelismos por aí. Ou se sou um poeta, co-autor do meu próprio blog. Que nada. Isso não acontece por aqui. Sou só um cara que decide escrever esporadicamente. Só se der na telha. Ainda se tivesse coisa inteligente a dizer...

Então, turma, não desanimem. Sejam pacientes. Sempre que eu tiver uma dor de cabeça e disso surgir algo brilhante, eu escrevo!

Dica da semana: sua coluna será muito mais sua amiga se você não tirar a sesta no ônibus.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2002

Hoje foi dia de comprar presente de aniversário para a sogra. Comprei nada, já que fui proibido de sequer mandar um beijo de parabéns. Só fiz dar pitaco. Espero que os créditos sejam dados apenas na hipótese de ter sido um bom presente!

Quem não gosta de Ferreira Gullar?

Quanto ao último post, devo alguns comentários e explicações. Antes, o comentário: quero agradecer a todos pelos comments. Fazia tempo eu vinha me sentindo abandonado pelos meus leitores.

Explicações: não quis dizer que a crônica acabou. Não. Acho que ela está minguando das páginas. Acho que ela, lamentavelmente, vai acabar.

Mas tudo bem. Tudo passa, tudo acaba, tudo morre. Até o Orlando Villas-Boas. Vai deixar saudades. Se tiverem a oportunidade, encontrem algo dele para ler. Ele sabia escrever muito bem!

Crônica metalingüística

Dia desses, lá estou eu, sentado numa mesa do Bistrô do Paço, onde gosto de passar meus fins de tarde com a minha namorada, eis que surge Carol. A mesma que está "linkada" aí do lado. A mesma que é minha amiga há mais tempo do que contam os anos. Ela trabalha ali. Então, é comum nós três tomarmos um chocolate juntos. Poucas coisas são tão boas quanto dividir a mesa com duas mulheres. Ok, alguns dirão que dividir a cama, mas a minha namorada lê este blog e eu tenho que me comportar.

Bem, voltando ao tal dia, Carol me fala uma daquelas frases que só ela consegue elaborar: "tem gente que escreve como fala [e fez uma careta meio blasé]. Você é o oposto: fala como escreve. E eu gosto da maneira como você escreve". Não fosse este último complemento, eu estaria até agora tentando entender a frase. Ainda acho que ela me chamou de antiquado, mas vou tocando...

Ontem, eu estava conversando com uma amiga capixaba. Ela vai escrever um livro. É a Renata, que também está "linkada" aí na lateral. E vem me cobrar: "quando você vai publicar essas coisas que você bloga?" Ela gosta de ler crônicas e o meu blog é um reduto de crônicas. Eu gosto desse estilo. Rápido, dinâmico e desinteressado interessante de escrever. Acho que tem tudo a ver com a nova comunicação. Nada de longos romances. Curtas crônicas.

Essas conversas me levara a duas constatações. Em primeiro lugar, como as crônicas sumiram do mercado. Não se vê mais um relato curto do quotidiano como se via antigamente. Nas revistas, jornais, internet, o que se vê são comentários sobre a última arbitrariedade do governo Bush, o vexame internacional da América Latina, os extertores do governo FHC e as enrolações do de Lula. Nada mais daquele Amor por entre o Verde, do Vinícius de Moraes. Não se permite mais que alguém Escolha seu Sonho, como Cecília Meireles.

Os livros de crônicas encontrados nas prateleiras são bem aventuradas reedições do passado. O último grande cronista está comemorando 100 anos este ano e ganhou estátua na praia. Isso leva a uma segunda reflexão: será a crônica um estilo morto? Fadado à memória tacanha das aulas de Literatura Brasileira do segundo grau? Nada de errado nisso. É para isso que é um estilo. Eles vêm e vão. Como escrever sonetos virou coisa do passado. Por que razão morreria a crônica?

Acho que a resposta está no início desta crônica, aqui. É um estilo rápido, fácil, raso. Perfeitamente antenado com a contemporaneidade. Uma contemporaneidade rasa, fácil, rápida, quase sem estilo. Qualquer um que aprecie boa leitura prefere fugir da mesmície dos jornais. Todos viramos contestadores e rendemos loas aos longos romances. Aos mais curtos, mas densos contos.

Não importa. O importante é ler.

terça-feira, 10 de dezembro de 2002

Arte de amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
(Manuel Bandeira)


Friozim bom prum início de verão, né não?

Hoje, eu aprendi uma expressão nova: silêncio mental. Vou usar e abusar dela!

Mas pago royalties. Obrigado, Carol!!!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2002

Uma das minhas favoritas de John Lennon.

Mind Games

We're playing those mind games together,
pushing the barriers, planting seeds.
Playing the mind guerrila
chanting the mantra, peace on earth.
We all been playing those mind games forever,
some kinda druid dudes, lifting the veil.
Doing the mind guerilla,
some call it magic, the search for the grail.

Love is the answer, and you know that's for sure.
Love is a flower, you gotta let it you gotta let it grow.

So keep on playing those mind games together,
faith in the future outta the now.
You just can't beat all those mind guerilla,
absolute elsewhere in the stones of your mind.
Yeah, we're playing those mind games forever,
projecting our images in space and in time.

Yes is the answer and you know that's for sure.
Yes is surrender you gotta let it you gotta let it go.

So keep on playing those mind games together,
doing the ritual dance in the sun.
Millions of mind guerillas,
putting their soul power to the Karmic wheel.
Keep on playing those mind games forever,
raising the spirits of peace and love.

Love.
I want you to make love, not war,
I know you've heard it before....

Mais ou menos 2.006 anos atrás, Deus olhou para baixo, viu sua gente. Viu que as coisas não iam bem e pensou em terminar com tudo por aqui. Antes disso, Ele resolveu dar uma chance e enviou seu filho. Sua missão? Salvar a Humanidade do pecado e do mal. Até que deu em alguma coisa. Ajudou um pouco.

Só que não foi definitivo. Lá pelas tantas, nós estragamos tudo de novo. Mandamos tudo pelos ares e voltamos a cobiçar a mulher do próximo e xingar os nossos pais. Deus, então, coçou o queixo coberto pela barba branca e decidiu enviar mais alguém. Outra pessoa que pudesse nos lembrar de que a paz é a meta e que somos todos irmãos.

Ele mandou um inglesinho nascer em 1940 e rebolar a bunda tocando rock. E veio John Lennon.

Há exatos 22 anos, Mark Chapman baleou o cantor 5 vezes, em frente ao edifício onde ele morava. Eu comemoro algo um tanto diferente, nessa data. Foi quando eu virei fã dele e dos Beatles. Lembro que, quando soubemos da morte dele, minha mãe traduziu Imagine e algumas letras de músicas dos Beatles e eu vi que eram bárbaras. E comecei a gostar.

Então, que descanse em paz. Ele merece.

domingo, 8 de dezembro de 2002

Ontem, lá vou eu para a festa na casa de um amigo meu. Ficamos na varanda, vendo os carros e a movimentação lá embaixo. Não sei como a antiga Psicose (atual Virtual Game Dance) ainda enche. Tijucano não tem parâmetro, mesmo.

Pois bem, lá estamos eu, meu amigo e a namorada dele olhando mudos lá para baixo. Eis que surge e pára no sinal uma Land Rover verde escuro, com teto solar, quatro portas modelo Defender, com placas de aço mais grossas. Linda! Ficamos eu e meu amigo babando.

É quando tem lugar o seguinte diálogo:

- Vocês podiam, ao menos disfarçar, né? - reclama a namorada do meu amigo.
- Mas é linda - eu respondo.
- É mesmo - ele arremata.
- Só porque ela é loira - ela reclama de novo.

Aí, nós não entendemos. Como um carro pode ser loiro. Naquele pequeno espaço de tempo, em que a gente vai tentando entender o que se passa, nós vimos uma menina muito gatinha encostada num carro perto do jipe. Que vergonha. Ficamos olhando o carro e esquecemos da menina... E ela era bonita, mesmo.

Homens!

Surrealismos suburbanos

Tem coisas que só acontecem na roça. Outras, só acontecem no subúrbio. Nunca vi disso. Esta noite, o carro da minha vizinha foi assaltado. Levaram o vidro da frente. Nada mais.

Vai entender...

Pobreza é uma tristeza.

Domingo, lá vou eu, de manhã e de sandália fazer as compras no Extra. Volto, mãe preparando o almoço e eu preparo uma caipirinha. Abri a caixa de CDs e fui buscar um que combinasse. Perfeito: um duplo do Paulinho da Viola.

Se o dia continuar assim, mais tarde vou à praia de Ramos...

Pobreza é uma tristeza.

Domingo, lá vou eu, de manhã e de sandália fazer as compras no Extra. Volto, mãe preparando o almoço e eu preparo uma caipirinha. Abri a caixa de CDs e fui buscar um que combinasse. Perfeito: um duplo do Paulinho da Viola.

Se o dia continuar assim, mais tarde vou à praia de Ramos...

terça-feira, 3 de dezembro de 2002

.:Pequena declaração pública de amor:.

Todo dia, de manhã, eu abro os olhos e olho para o meu lado. Falta alguém. Minha cama é de solteiro e, ainda assim, é vazia. Todos os dias, ao abrir os olhos, eu fico achando que vou ver outros olhos me olhando. E todos os dias, eu me lembro que não é ainda. Ainda assim, eu dou bom dia. Eu sei que acordo muito mais cedo do que ela, mas a primeira coisa que faço, quando acordo, é esperar que ela tenha um bom dia.

E passo o dia lembrando das coisas que ela gosta. Eu sou bom em conhecer o gosto dela. E já mostrei isso. Eu me interesso por isso. Se entro em uma livraria, fico vendo os livros que ela gostaria de ter. Alguns, tenho certeza de que ela não tem, mas adoraria ter. Outros, sei que ela tem e já deve ter lido algumas vezes. Livros de fotos. Vejo lugares que ela gostaria de conhecer. Outros lugares, eu gostaria de mostrar a ela. Outros, ainda, eu gostaria de conhecer com ela.

E na rua, mesmo sozinho, eu ando de mãos dadas com ela. É um pequeno prazer que eu tenho. A primeira coisa que faço quando a encontro é segurar a mão dela. Aquela mãozinha miúda dentro da minha. Se as mãos dela estão ocupadas com alguma coisa besta, tipo abrir o guarda-chuva, eu sempre acho alguma coisa para irritar, como fazer cócegas nela, de leve, até ela me entregar a mão. É um ritual gostoso de fim de tarde.

E eu a deixo em casa. Ela sempre sorri ao se despedir. Parece coisa de Richard Bach, que diz que uma despedida é necessária àquele gostinho bom do reencontro. E aquele sorriso dela me acompanha por todo o caminho até a minha casa. Depois, ele vai dormir comigo. O sorriso dela é sempre a melhor lembrança que eu tenho do meu dia.

E nos dias em que eu não a vejo, eu fico colecionando as lembranças dos outros dias. Talvez eu consiga lembrar de cada sorriso. Lembro de cada jeito. Todas as coisas que ela faz e que eu gosto. Algumas dessas coisas, ela sabe. Outras, nem faz idéia. Essas são as melhores de lembrar. Os pequenos gestos do corpo dela em relação ao meu que ela não percebe e que são tudo o que o meu corpo esperava dela. Coisas simples, como o jeito como ela encosta a cabeça no meu peito, quando deitamos.

Agora eu estou indo dormir. A chuva fez o verão se sentir um pouco mais tímido. Isso dá mais vontade de intimidade. Então, vou aproveitar e, deitado sozinho na minha enorme cama de solteiro, lembrar do peso dela no meu peito. E o cheiro do cabelo dela no meu rosto. E vou fechar os olhos sabendo que por muitos, muitos anos, ainda, vou sentir essas mesmas coisas. E não deve demorar muito até que eu abra os olhos uma manhã e diga aos olhos dela, que vão estar me vendo: "bom dia, super".

Falando em humor, hoje constatei algo impressionante. O clima tem efeito direto sobre o estado de espírito. Passei o dia mal humorado. Cara emburrada, ranzinza. A pobre da Estela teve que me aturar desse jeito.

Quando começou a chover, percebi: a pressão atmosférica estava elevada. Isso faz com que as pessoas se sintam oprimidas. O calor não ajuda. Meu mau humor vinha daí! Já melhorei bastante.

Eu adoro biologia. Fazer o que?

Ainda sobre o banho de chuva...

Voltei para casa debaixo d'água. Saltei do ônibus na UERJ e vim de lá para cá (coisa de 1,5km) caminhando. A chuva apertou. Já perto de casa, ela decidiu cair mais forte. Cheguei em casa enxarcado. Adoro isso. Nem aperto o passo. Não adiantaria de nada, mesmo. Além disso, como já disse, eu adoro um banho de chuva.

Abro a porta do corredor e entro. Duas vizinhas interrompem a conversa e ficam me olhando, perplexas com o meu estado. Fleumaticamente, eu olho para as duas e digo: "se continuar assim, deve acabar chovendo". Não preciso dizer que adoro um humor sarcástico. Uma delas percebe e responde: "e se você continuar desse jeito, vai acabar se molhando". A outra, loira, não deve ter percebido e arrematou: "mas ele já está molhado".

Ai, gente sem humor...

segunda-feira, 2 de dezembro de 2002

Preciso fazer uma confissão: eu adoro tomar banho de chuva!

domingo, 1 de dezembro de 2002

Acabei de achar algo fascinante! Faz 15 anos eu venho procurando informações sobre Amala e Kamala, as duas meninas criadas por lobos, na Índia. Não é muito fácil encontrar literatura sobre elas e material sobre crianças criadas por animais é sempre envolto numa áura mística e de pouca fidedignidade.

Aqui, na internet, vim vasculhando. Eis que, de repente, encontro um pequeno site em português com fotos! Eu pareço uma criança pequena, diante de um carrinho de controle remoto que o Papai Noel deixou na árvore...

quinta-feira, 28 de novembro de 2002

Ainda sobre o meu aniversário: pena que minha namorada não veio com um botão para virar pizza nas costas... Aí, seria a mulher perfeita!

Dia do meu aniversário. Eu e Estela fomos comemorar juntos. Lá pelas tantas, precisando assinar um cheque, viro para ela e pergunto: "que dia é hoje, mesmo?"

É a idade chegando e eu chegando ao fim...

quarta-feira, 27 de novembro de 2002

Aposto que isso aqui não faz parte daqueles quiz insanos que a minha namorada adora fazer. Foi enviado pelo meu irmão.

Qual deles é você?

O viado é um espécime emergente, em franca evolução. Antigamente não se
ouvia falar em tantas variações semânticas; mas hoje, tem apelido para
todo tipo de viado. Vejamos:

**Boiola**
É um viado mais moderno. Pratica surf, aeróbica, vive com óculos na
testa, finge que namora a coleguinha de turma, freqüenta pagode mas, no fim da
noite, dá uma passadinha no Bingo prá botar a "cartela" em dia.

**Viado**
Esse é o mais antigo e tradicional de todos. Fala com voz desafinada e
a língua entre os dentes, costuma virar os olhos enquanto fala e desmunheca
sempre. Tem cinco variações: viadinho, viadaço, viadão, viado-filho-da-puta
e o mais antigo e tradicional deles: o viado velho (ver Pederasta, adiante).

**Bicha**
É um viado mais rampeiro que existe, daqueles que fedem a mijo e usam
calça corsário com tamanco. Suas duas variações mais conhecidas são: bicha-louca,
que é um misto de viado com maluco, e bicha-nojenta, que é aquele que
trabalha com a gente.

**Gay**
É o viado metido a intelectual, alegre, mas que dá o rabo igualzinho
aos demais. Só que com mais criatividade. Fala de sexo anal o tempo todo e
costuma pregar que buceta só tem fama; bom mesmo é cu.

**Boneca**
É a mais fêmea dos viados; a que gostaria de ser chamada de "viada",
por ser no feminino. Na realidade, ela se acha a própria me-ni-na e sonha com
casamento. O único problema é que, como toda boneca, tem sempre a bunda malfeita.

**Fruta**
É aquele viadinho meigo, frágil, branquinho, pálido, com gestos
graciosos e delicados. Geralmente é ou foi criado pela vovó, jogando bola-de-gude no
carpete ou na pior das hipóteses é aquela "filha" que a mãe não pode ter e
foi criado usando camisolinha rosa e laço de fita no cabelo desde pequeno.
Geralmente só dá o rabo mediante solicitação, pois é extremamente tímido.

**Baitola**
É a bicha nordestina. Normalmente, é um fio-duma-égua bem abestado que
nasceu florzinha e se mandou pro Sul Maravilha (Rio ou São Paulo, onde
sempre cabe mais um, não precisa nem Rexona) pra fazer saliência bem longe
da família, senão o pai mata de porrada.

**Pederasta**
É um viado em desuso. Teve sua vez na época dos grandes bailes do
Municipal. Hoje, a bunda murchou, apareceram as varizes, virou um lixo!!

**Homossexual**
É o viado discreto, enrustido. Em geral, é rico e se casa para camuflar
suas atividades. Paga bem e pede discrição. Freqüenta muito o proctologista
e é capaz de trair a mulher com o próprio cunhado garotão, em troca de
emprestar o carro. Às vezes, sofre de crise existencial e cai em depressão.
Mas nunca se arrepende. Aí, também já é pedir demais, né, santa?

**Meigo**
É o viado que você nunca tem certeza de que realmente ele é viado. Você
desconfia pelos seus gestos e trejeitos, porém se você souber que ele não é
viado, você não iria ficar tão decepcionado. Ele deixa dúvidas. Quando você
acha que um cara é meio viado mas não tem certeza, chame-o de MEIGO que é a
abreviatura de MeioGay.

** Colírio **
Esse é o viado que ninguém imagina que ele é viado. Fala como homem, se
veste como homem, anda como homem, coça o saco, pode ser casado e até ter
filhos, compra a revista Playboy e comenta "Meu Deus que mulher gostosa",
costuma ser inflexível quanto a odiar os homosexuais e se fosse possível
mandaria matar todos sob tortura (pode ser uma maneira de eliminação da
concorrência através de uma ação incosciente). Chama-se COLÍRIO, porque se
aparecer uma oportunidade de se relacionar com outro homem sem que ninguém
sabia, ele vai pra cama, dá tanto o rabo que tem que passar colírio (Moura
Brasil ou similar) no olho do cu, de tão ardido que fica. Dizem que quando
o colírio (Moura Brasil ou similar) é pingado no anel de couro ainda
quente, chega a fazer TZZZZZZZZ, e a bicha abre logo uma cerveja. Quando
você quer chamar alguém de viado e não quer que ele nem desconfie, diga
assim, "Esse aí tem cara de quem usa COLÍRIO!"

terça-feira, 26 de novembro de 2002

Novas questões imponderáveis

O seguinte diálogo foi extraído do livro homônimo de Platão. Se bem me lembro, era travado entre Sócrates e seu pupilo, o autor do livro:

-De onde vem a chuva? - perguntou o barbudo grego velho.

-Das nuvens, ora - respondeu o incauto pupilo, também barbudo e igualmente heleno.

-E onde ficam as nuvens? - insistiu o mestre piolhento (isso é uma verdade histórica).

-No alto - Platão não entendia a obviedade das perguntas.

-Se a chuva vem de cima, por que é que a parte que mais se molha são os pés?

Vai entender...

Paisagem urbana

Veio aquela chuva, hoje. Todos os que estavam na cidade viram. Até aí, nada demais. Ela durou pouco, como qualquer chuva forte nessa época do ano, e frustrou as intenções de alguns namorados darem balão em suas namoradas. Continua no nada demais.

O curioso foi a imagem que eu tive. Enquanto a chuva ainda estava arrefecendo, eu vinha caminhando pela rua e, bem na minha frente, vinha uma senhora daquelas cadeirudas (alerta de eufemismo). O bacana era que a semicircunferência glútea da dona tinha raio maior que o do guarda-chuva. Resultado: bunda salpicada de gostas de chuva. Que triste...

Dia desses, lá vinha eu descendo a serra de Jacarepaguá de volta para casa. Sempre durmo no ônibus, na descida. Estou descobrindo que é um hábito saudável. Eu só tiro um breve cochilo. Sempre acordo mais ou menos quando nós estamos no Iguatemi, aqui em Vila Isabel (os puristas dirão que ele fica no Andaraí).

Voltando ao tal dia, em tempo razoável, toquei a campainha, para saltar. O motorista passou batido do meu ponto. Pensei "ótimo que pare uns metros depois, porque isso me deixa exatamente na minha esquina". Não. Ele passou de "uns metros depois". E ia embora, para a Praça XV! Eu tive que dar um toque nele:

-Paraí, mermão. Eu fico aqui!
-Ô! Desculpa. Eu me distraí.

Pode? Eu agora sou imperceptível até para os motoristas de ônibus! Acho que chegou a hora de engordar...

domingo, 24 de novembro de 2002

Tem sido difícil blogar ultimamente, né? Acho mais fácil ler os blogs dos outros que escrever no meu. O pessoal tem cada idéia brilhante! Por que, diabos, eu preciso escrever, se tem tanta coisa melhor para ler por aí?

Eu devo ser um exibicionista, mesmo...

sexta-feira, 22 de novembro de 2002

Admirável Corpo Novo

Como toda mulher bonita que eu já conheci, minha namorada se acha gorda. Não entendo essa obstinação das mulheres em ser absurdamente magras. Massérrimas, se possível, anoréxicas. O mais curioso é que a maioria das que se acham gordas, não o são. Talvez alguma excessão possa estar ligeiramente acima do peso.

Aliás, o que é estar acima do peso? Um grupo de cientistas malucos inventou uma fórmula matemática que deveria indicar quem está ou não na "normalidade". Que expressão horrível, essa tal de normalidade. Se Edison vivesse no século XX, tomaria comprimidos para dormir, para ter oito horas de sono, como qualquer pessoa normal. Ele só dormia três e, graças a isso, hoje temos a luz elétrica.

Então, tecido adiposo e beleza são termos antagônicos? Nada mais ignóbil! Conheci muita gente bonita e gorda, muita gente bonita e magra. Aliás, também conheci muita gente feia e gorda e eu, do meu lado, sou magrelo e não sou nada que se diga agradável de se ver. Mas quem tem 60kg distribuídos em 1,70m pode se considerar na faixa padrão de beleza, porque é normal. Será que isso faz algum sentido?

A lógica de que peso e altura devem ser relativos é cruel. Quem não faz parte desse grupo é estranho, é menor. O curioso é que essa é uma crueldade subliminar. Tão discreta que mesmo os passivos dessa crueldade não a percebem. Aceitam, com resignação. É como se obedecessem cegamente a um comando, sem contestar. Isso faz pensar naquelas histórias de Admirável Mundo Novo e 1984. Uma crueldade que todos aceitam.

Essa ditadura da estética precisa de um fim. Em ambos os sentidos. Seria ótimo se tivesse uma finalidade, ao menos. Caso contrário, basta que tenha termo.

terça-feira, 19 de novembro de 2002

::~IMPOTÊNCIA~::

Nós, homens, odiamos essa palavra. Tudo que é relativo a essa palavra. Odiamos pensar nela, odiamos a grafia dela, não importa em que fonte. Odiamos até o simples som dessa palavra. Tememos seus efeitos, suas repercussões. Mas mais do que temer, odiamos, mesmo. Em todos os seus aspectos, em todas as línguas, todos os parâmetros. E existem vários aspectos para impotência. Impotência é um bocado de coisa.

Impotência é silêncio. É caminhar por horas de mãos dadas com alguém sem dizer palavra. Aquela mudeza constrangedora de quem não sabe o que dizer para aliviar a apreensão de alguém. É não ter o que dizer, sabendo que precisa dizer alguma coisa. Esperar que apenas um abraço resolva e saber que não. Esse tipo de impotência é desgastante, preocupante, alucinante. Não saber ser o que dizer diante da aflição alheia é pior do que a própria aflição.

Impotência é ansiedade. É esperar e saber que nada vai acontecer. Ou, por outro lado, que aquilo que não podia acontecer, vai acontecer. Ficar contando o tempo, fingir que não se preocupa. Fechar os olhos, para não ver acontecer. Tapar os ouvidos, para não ouvir que não aconteceu. É observar sem contemplar. É amargar os momentos. Sentir todos eles, um por um, passando por entre os dedos.

Impotência é descompasso. É esquecer absolutamente o sentido da palavra serenidade. É querer ter o que se espera no momento em que se quer. É não saber mais esperar.

Pouca coisa pode ser tão odiosa quanto a impotência. Pouca coisa pode ser tão odiosa sob aspectos tão distintos. Ainda assim, ela é inevitável. Em um momento ou outro, por uma, ou outra razão, todos estaremos impotentes. Até mesmo aceitar esse fato com conformidade é sinal de impotência.

Hoje calibrei os pneus da bicicleta do meu irmão. Aproveitei para gastá-los.

Pouca coisa é tão boa para fazer pensar quanto pedalar.

terça-feira, 12 de novembro de 2002

Revendo os meus e-mails antigos, achei um de maio passado. Duvido que quem me enviou lembre de ter me enviado. Lá vai:

Amor

"As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus
problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter
resolvido os seus problemas" Copiem. Decorem. Aprendam. Temos a mania de
achar que amor é algo que se busca. Buscamos o amor nos bares, buscamos o
amor na internet, buscamos o amor na parada de ônibus. Como num jogo de
esconde-esconde, procuramos pelo amor que está oculto dentro das boates,
nas salas de aula, nas platéias dos teatros. Ele certamente está por ali,
você quase pode sentir seu cheiro,precisa apenas descobri-lo e agarra-lo o
mais rápido possível, pois só o amor constrói, só o amor salva, só o amor
traz felicidade. Há quem acredite que amor é medicamento. Pelo contrário.
Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se
aproxima, e, caso o faça, vai frustrar sua expectativa, porque o amor quer
ser recebido com saúde e leveza, ele não suporta a idéia de ser ingerido de
quatro em quatro horas, como um antibiótico para combater as bactérias da
solidão e da falta de auto-estima. Você já ouviu muitas vezes alguém
dizer: "Quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o
amor apareceu". Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso
escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas. O amor, ao
contrário do que se pensa, não tem de vir antes de tudo. Antes de
estabilizar a carreira profissional, antes de fazer amigos, de viajar pelo
mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir de seu
surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para
o sucesso nos outros setores, quando, na verdade, o amor espera primeiro
você ser feliz para só então surgir, sem máscara e sem fantasia. É esta a
condição. É pegar ou largar. Para quem acha que isso é chantagem,
arrisco-me a sair em defesa do amor: Ser feliz é uma exigência razoável, e
não é tarefa tão complicada. Felizes são aqueles que aprendem a administrar
seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de
si e não se autoflagelam por causa dos erros que cometem. Felicidade é
serenidade. Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com
príncipes encantados. O amor é o prêmio para quem relaxa. As pessoas ficam
procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na
realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas."

domingo, 10 de novembro de 2002

Será que vai chover no meu aniversário? E eu que pensava em fazer piquenique...

Parafraseando a Estela,

"Sim, ando blogando cada vez menos...

O que um bom beijo na boca nao faz com uma pessoa..."

terça-feira, 5 de novembro de 2002

::Uma opinião feminista com visão machista::

Tem uma coisa que eu acho e que eu sei que destrói a minha reputação. Entre as feiticeiras, eu sou muito mais a Elizabeth Montgomerry que a Joana Prado. Esse é o tipo de coisa que eu não gosto de ficar falando abertamente. Num bar, por exemplo, seria motivo de risadas por longos dez minutos, antes que passasse alguma saia a caminho do banheiro. Por outro lado, acho que os meus amigos já estão acostumados com as minhas opiniões polêmicas.

Polêmicas? Desde quando polemizar é dizer que gosta mais de uma mulher que de outra? Só porque a que eu prefiro não é a que usa biquini e fez 96 plásticas só no mês passado? Então, se é para criar polêmica, vou criar para o outro lado. Ou para todos os lados. Alguém já reparou a disparidade entre uma e outra?

Da Samantha, sabemos tudo. Até porque, não tem muito que saber. Ela é casada, muito bem casada com um orelhudo magrelo que sustenta a casa. É dona de casa, filha de Endora (não Miranda, como eu achava), mãe de Tabata. Essa é a vida dela: infernizar e impulsionar a carreira do marido. Uma espécie de versão televisiva da letra de Mulheres de Atenas, do Chico Buarque. Some-se que é uma moça muito recatada e discreta no vestir. Maomé deve ter se inspirado nela, para descrever o ideal de comportamento feminino no Corão.

A outra, com outras influências árabes, é notadamente diferente. Alguém sabe o nome da mãe da Joana Prado? Ganha seu próprio dinheiro, tem seu próprio meio de vida. E que meio! Absolutamente independente, não faz segredo de seus impulsos sexuais (quem nunca viu o vídeo dela trepando com o Belfort?). É ela quem manda nela mesma. Solteiríssima, duvido que tenha alguma veleidade de se casar virgem. Quem sabe dela é ela. Um ícone dos anos modernos, pós-liberação sexual.

E a polêmica? Bem, caras feministas empedernidas, alguém é capaz de explicar o que faz um homem gostar mais de uma submissa dona de casa a uma profissional liberal dos anos 90? Talvez eu tenha os valores meio antiquados, sei lá. Mas não acho que a resposta seja essa. Acho que vai além. Acho que é, na verdade, bem mais raso que uma discussão sobre igualdade entre os sexos. É uma simples questão de estilo.

E aí, qual o seu estilo?

Tem coisa mais inútil que falar do tempo? Pois é. Decidi que vou falar do tempo. Não me surge assunto, estou mal humorado, não tenho paciência para pensar em nada. Meu assunto será o tempo. E que tempo! Existe explicação para o calor que está fazendo? Esse mormaço insuportável.

Pior que tem. Não gosto nem de pensar. Dia desses, fui até o Pico da Tijuca, o ponto mais alto do Rio de Janeiro. Era claro o anel de poeira que se formava pouco acima da altura dos olhos. Eu faço essa trilha a muitos anos. Conheço diversos picos da cidade, mas nunca tinha visto uma nuvem tão densa quanto aquela. Nunca passei por algo tão triste. É bem degradante.

Dizem que o adesivo de carro ideal para o meu signo é aquele que diz "destrua as ondas, não as praias". Faz sentido. Eu sou um sujeito assim, mesmo. De repente, a poluição aparece suspensa no ar. Sei lá se isso explica todo esse mormaço. Sei que esse mormaço explica a minha sinusite. Ela tem atacado incessantemente. Sem trégua.

A chuva, modo geral, serve para fazer isso baixar. Muda a pressão atmosférica, os ventos varrem a poeira para longe... Espero que ela venha e vem com vontade. Com saúde. Não aguento mais o tempo do jeito que ele anda!

segunda-feira, 4 de novembro de 2002

Cartas de Amor
Tôdas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fôssem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos.
São naturalmente
Ridículas).

Fernando Pessoa

Amor, com amor se paga

De tudo o que já experimentei nessa vida, isso é novo: a certeza do carinho recíproco. Desde sempre, conheço os versos de W. H. Auden que dizem: "if equal affection cannot be,/ let the more loving one be me". E sempre fui assim, mesmo. Sempre fui o tipo de pessoa mais preocupada em amar, do que ser amado. E nunca fui de me preocupar com isso. Dessa vez, estou experimentando uma novidade. É delicioso saber que se é amado, tanto quanto se ama.

É uma experiência rara, poder dizer, com certeza, "sou amado". Na verdade, não é apenas rara. É mágica! Acho que posso me chamar de privilegiado. É uma sensação absolutamente nova. Não acho que muitas pessoas tenham sinceramente passado pelo que estou passando. Isso me faz sentir o homem mais feliz do mundo.

Sabe lá o que é contar o tempo que falta entre agora e encontrar a pessoa que você gosta? Quanto encontra, as cores que você está acostumado a ver, parecem mudar, na sua frente. Uma aceleração involuntária parece tomar conta do miocárdio, nas pernas uma dormência contínua, na mente, a sensação de conforto, como uma cama macia, num dia frio. Tudo isso vem em conjunto. A um só tempo. E você sabe que, do outro lado da sua mão, tem uma mão sentindo as mesmas coisas.

Eu devo ter perdido o juízo, para dizer esse tipo de coisa em público. Não costumo ser assim. Gosto de guardar essas alegrias íntimas na minha intimidade. Em geral, isso me renderia um sorriso ameno por horas. Surpreendentemente, isso não está mais cabendo em mim. É uma alegria que precisa ser extravasada. E é exatamente o que eu faço, enquanto venho aproveitar para ver o mundo de cores novas. Será que só nós, daltônicos, conseguimos enxergar cores novas por causa do amor?

domingo, 3 de novembro de 2002

Lei da Relatividade Documentada
Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.

Lei da Administração do Tempo
Tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível.

Lei da Procura Indireta
§1 O modo mais rápido de se encontrar uma coisa, é procurar outra.
§2 Você sempre encontra aquilo que não está procurando.

Lei da Telefonia
Quando te ligam:
... Se você tem caneta, não tem papel.
... Se tiver papel, não tem caneta.
... Se tiver ambos, ninguém liga.
Quando Você ligar números de telefone errados nunca estarão ocupados.
PARAGRAFO UNICO: Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o telefone.

Lei da Gravidade
Se você consegue manter a cabeça enquanto a sua volta todos estão perdendo a deles, provavelmente você não entende a gravidade da situação.

Lei da Experiência
Só sabe a profundidade da poça quem cai nela.

Regulamentação do Especialista
§1. Especialista é aquele cara que sabe cada vez mais sobre cada vez menos.
§2. Superespecialista é aquele que sabe absolutamente tudo sobre absolutamente nada.

Guia prático para a ciência moderna:
... Se se mexer pertence à biologia.
... Se feder pertence à química.
... Se não funciona pertence à física
... Se ninguém entende, é matemática.
... Se não faz sentido, é economia ou é psicologia.

Lei dos Cursos, provas e afins
§1.Se o curso que você mais desejava fazer só tem 'n' vagas, pode ter certeza de que você será o aluno 'n' + 1 a tentar se matricular.
§2. Oitenta por cento do exame final será baseado na única aula que você perdeu, baseada no único livro que você não leu.
§3. Cada professor parte do pressuposto de que você não tem mais o que fazer senão estudar a matéria dele.
PARAGRAFO UNICO: A citação mais valiosa para a sua redação será aquela que você não consegue lembrar o nome do autor.

Lei das Unidades de Medida
Se estiver escrito 'Tamanho único' é porque não serve em ninguém.

Lei da Queda Livre
Qualquer esforço para se agarrar um objeto em queda, provocará mais destruição do que se deixássemos o objeto cair naturalmente.
§1. A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.
§2. O gato sempre cai em pé.
§3. Não adianta amarrar o pão com manteiga nas costas do gato e o jogar no carpete. O gato comerá o pão antes de cair...Em pé.

Lei das Filas e Engarrafamentos
A fila ao lado sempre anda mais rápida.
PARAGRAFO UNICO: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

Lei do Esparadrapo
Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.

Lei da Vida
1. Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
2. Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral ou engorda.

Lei da Atração de Partículas
Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto.

quarta-feira, 30 de outubro de 2002

Um Milton pouco conhecido.

Lua Girou
(Milton Nascimento)

A lua girou, girou
Traçou no céu um compasso
A lua girou, girou
Traçou no céu um compasso
Eu bem queria fazer
Um travesseiro dos seus braços
Eu bem queria fazer

Um travesseiro dos seus meus braços
Só não faz se não quiser
Um travesseiro dos meus braços
Só não faz se não quiser
Sustenta a palavra de homem
Que eu mantenho a de mulher
Sustenta a palavra de homem

terça-feira, 29 de outubro de 2002

Questões imponderáveis

Por que todos os motoristas de ônibus do Rio de Janeiro são loucos?

Gosto de Chico Buarque porque ele explica todas as complexidades dos meus sentimentos. Gosto de Geraldo Azevedo porque ele simplifica essas complexidades.

PARCEIRO DAS DELÍCIAS

Amor,
Vem me tirar a sede
Amor,
Vem me tirar da rede
Amor,
Nem que seja das intrigas.

Amor,
Vem me tirar o cinto
Amor,
Vem me tirar a pele
Amor,
Nem que seja sem malícia

Vem me tirar,
Vem me botar na vida.
Vem me tirar,
Às vezes pra dançar
Até me machucar, amor

Vem reviver a sede,
Me botar na rede
Vem me fazer aquele amor
Parceiro das delícias, amor.

Geraldo Azevedo.

Clareou.

Ontem foi a data do início do meu inferno astral. Não tinha reparado.

Começa a esfriar. Talvez o tempo vire. Não sei. Têm sido dias estranhos: as nuvens se formam sobre as montanhas da Floresta da Tijuca, mas se dissipam. Aí, vem o Sol e o calor. Eu nunca fui muito afeito a essas temperaturas. Acho que não nasci para isso. Não nasci para suar na rua. Não sei se isso é ser esnobe da minha parte, só sei que não gosto. Não acho saudável.

Esta noite está silenciosa. Isso é estranho. Em geral, os vizinhos fazem barulho, os morcegos sissiam na mangueira aqui, atrás, carros cantam pneus ao longe. Esta noite está estranha. Um ar de desalento, de desolação. O silêncio faz uma música calma preencher o ar. Um adagio de cordas, talvez. Ou eu sou maluco de ouvir música no silêncio, mesmo. Não me surpreenderia.

Estou esquisito, hoje. Tanto quanto esta noite. O coração apertado, os pensamentos amuados. Talvez o clima tenha algum impacto. Neste exato momento, tudo o que eu precisava era do meu violão e uma rede. Deixaria essas considerações fluírem pelas cordas, madrugada adentro. Assim, não estava aqui, aborrencendo qualquer leitor incauto. Quero deixar chegar amanhã. Em geral, a aurora traz novidades.

Tem dias de lua.

domingo, 27 de outubro de 2002

Ontem eu tive uma apresentação de música e dança flamenca. Que desespero! Aconteceu mais ou menos assim: quarta à noite uma amiga me liga e diz: "Pedro, tenho uma apresentação para fazer no próximo sábado. Sou eu e mais 3 meninas. Eu poderia usar CD, mas prefirimos ter música ao vivo. Topas?" Eu, doente que sou, topei. Nunca fiz nada disso antes, mas topei. "Quando vão ser os ensaios?" A resposta dela foi imediata: "sábado à tarde".

Preciso dizer que enlouqueci? Quem não me conhece, não sabe, mas a única coisa com a qual eu sou perfeccionista é a música. Peguei uma fita do Paco de Lucia do meu pai e comecei a ouvir, em looping, entrei em diversos sites da internet espanhola, buscando técnicas de rasgueio, estudei partituras e partituras... Ontem, fui dar aulas, participei de ensaios fotográficos para o site da ConnAction, que está linkado aí do lado, e fomos ensaiar. Pânico total.

No fim das contas, o ensaio ficou mais ou menos. Eu consegui entender a coreografia e compus uma harmonia que preenchesse a dança. Quando nós fomos a Niterói, onde foi o envento, eu tirei um tempinho para me concentrar e estudar um pouco mais. Fico muito tenso nessas horas. Peguei meu violão e, súbito, fiz uma harmonia que dava de 10 na anterior. Ficou muito boa. Parecia que eu tinha entendido a linguagem da música flamenca. Apresentamos o espetáculo. Abri, tocando Astúrias, de Albeniz. O público adorou, as meninas confirmaram minha sensação de que tinha sido melhor que nos ensaios, uma delas percebeu que eu fiz uma coisa nova com o violão.

Eu, crítico como sou comigo mesmo, achei bacaninha. Não mais que isso. Mas isso é normal. Quando a gente se apresenta, o resultado é sempre 20% menor do que o esperado. Se ficar abaixo disso, a coisa fica perigosa. Mas o meu conceito foi esse mesmo, então fica tudo bem. Para completar, depois que eu saí do palco, vem um mané perguntar por que eu toquei Spanish Caravan, do The Doors. Cai na real! Vai entender de música, meu filho. Some-se a isso que eu acho Jim Morrison um saco!

Mas este post não é sobre isso. Este post é sobre como um público pode aplaudir você (tinha gente até de pé) e você sentir falta de um par de mãos, apenas. Minha namorada não estava lá. Não conseguiu ir. Eu sei que não deu, nós conversamos antes. Já sabia que não ia ter como. Mas fez falta. Queria muito ter estado com ela. Ontem eu percebi como uma só pessoa pode fazer falta.

Segundo Turno

Lá vou eu votar. No primeiro turno, pela primeira vez na minha vida, peguei fila na minha seção. Como bom suburbano (ver post anterior), voto numa escola pública e feia. Para evitar ter que conversar com a mesma menina nojenta da fila da última vez, levei minha Super Interessante para ler. Lá chegando, que desolação. Os mesários olhando pro chão, ou pro jornal. Tinha gente bocejando. Ninguém, repito: ninguém, votando. Em passos lentos, fui até a mesa para entregar o título (sim, porque eu sou um daqueles doentes que não usam a carteira de identidade para votar. Aliás, ela ficou em casa). A mocinha até se animou e se aprumou na cadeira. Fez uma expressão alegre de "agora tem trabalho".

Votei. A fotinha do Lula deu desgosto. Aquele sorriso bonachão. Quem já viu Papai Noel petista? Pois é. Quase que desisto e voto no Serra, só porque ele anda mais feio e abatido. Mas o resultado mais importante: não li a minha revista. Que saco. Só serviu para pensar em que blogar, quando chegasse em casa. Nem deu para divagar sobre democracia e política, como eu fiz da última vez. Quem é novo no meu blog, é só procurar, na data da última eleição.

quinta-feira, 24 de outubro de 2002

Paisagem suburbana

Às vezes, me dou conta de que sou suburbano. A Estela gosta de dizer que eu sou suburbano, porque moro bem do lado de uma linha de trem. Eu moro nas imediações da Praça da Bandeira e o trem da Leopoldina passa aqui do lado. Ela trabalha na Procuradoria Geral do Município e deve entender dessas coisas. Diz ela que subúrbio é só aquilo que é perto da linha do trem. E a Tijuca? Não é subúrbio? E lá onde ela mora, em Jacarepaguá, que tem cavalo comedor de ebó? Aquilo, nas palavras dela, é outra coisa: é roça...

Mas, voltando à minha vidinha, sempre fui feliz por ser suburbano. Tem coisas que só acontecem por aqui. Uma delícia ficar subindo em árvore, brincando na rua. Pintar a rua em época de copa do mundo é coisa que só dá no subúrbio! Ou festa junina de fechar a rua. Isso é vida de subúrbio. Isso faz parte da minha infância. Faz parte do que eu sou, agora. Acho que influencia até a minha maneira de pensar, de ver a vida e as pessoas.

Gosto de acordar num domingo cinzento, atraversar o jardim do meu edifício e buscar a revista na caixa de correio. Minha rua é de paralelepípedo e em frente ao prédio tem o muro cinza de uma casa. De manhã, quase ninguém na rua. Tem um certo ar de desolação. Mas é poderosamente poético. É como estar em outro lugar, num outro tempo. Um tempo que passa mais devagar, com mais mansidão. O dia parece seguir todo mais calmo, depois disso. Até o pagode, o churrasco, a barulheira do vizinho parece ter uma certa graça.

Aí, eu gosto de atravessar o verde da Quinta da Boa Vista e ir visitar meu pai, que mora em São Cristóvão. Lá não tem trem. De repente, lá não é subúrbio. Então, por que tem criança em cima de carrinho de rolimã descendo a ladeira? Por que tem gente jogando futebol no asfalto, fazendo o portão da garagem de gol? E o vizinho do meu pai, que parece ouvir a mesma rádio que o meu. Isso é gostoso como dormir abraçado.

Deve ser porque eu nasci na Tijuca. Sou tijucano e tijucano é uma raça engraçada. É o único bairro do Rio de Janeiro que tem naturalidade. Ninguém é copacabanano, ipanemense, barrista. Botafoguense é só torcedor de um time caidinho, flamenguista, que adora dizer que faz parte de uma nação, é outra raça que só existe em torno do futebol. Ninguém é como tijucano. Somos uma raça estranha. Mas não somos suburbanos. Fazer o quê?

Ainda bem que saí da Tijuca. Ainda bem que vim morar na Praça da Bandeira. Só aqui eu posso me sentir suburbano.

terça-feira, 22 de outubro de 2002

Enquanto tento, desesperadamente, ajeitar os links aí do lado, percebi: só quem tem blog é mulher, né? Já vi que isso é coisa de frutinha, igual ter gato como bicho de estimação. Cruzes! O pior é que eu não largo essa cachaça.

Para esclarecer a todos que ficaram chocados com a minha declaração de ontem, não, eu não estava triste. Menos ainda rolou sexo. Foi um dia longo. Meu irmão que surtou pareceu estar voltando ao normal, dei aula, fui ao teatro, prestigiar a esquete de um amigo meu. Aliás, ótimo trabalho. O calor era insuportável.

Cheguei em casa e me deparei com a "obrigação" de escrever no blog. Coisas de blogueiro. Tem obrigação nenhuma. Mas fiquei olhando aqui, para a tela de edição, como se precisasse escrever algo. E pus aquela frase de cunho lapidar. Simplesmente porque estava foda pensar em qualquer coisa para escrever.

Simples como isso. Não precisam ficar tentando me consolar, ou me parabenizar. Eu ando muito feliz, desde o último fim de semana. Ainda assim, sexo não faz parte dos eventos que têm me deixado feliz. De todo jeito, thanx a lot!

Tem dias que a noite é foda...

domingo, 20 de outubro de 2002

Já foi Sinatra. Agora, Tony Bennett. Mas eu amo essa música!

The way you look tonight

Someday when I'm awfully low
When the world is cold
I will feel a glow
Just thinking of you
And the way you look tonight

O but you're lovely
With your smile so warm
And your cheeks so soft
There is nothing for me, but to love you
Just the way you look tonight

With each word, your tenderness grows
Tearing my fear apart
And that laugh that wrinkles your nose
Touches my foolish heart

Lovely never never change
Keep that breathless charm
Won't you please arrange it
Cause I love you
Just the way you look tonight

Situação marcante deste fim de semana: estou eu, cercado de duas lindas moças no tradicional Bar Luiz, quando um casal vem se sentar na mesa do lado. Os dois pareciam ser clientes do lugar faz muuuuuuiiiiiito tempo. Aposto que devem freqüentar há uns 50 anos, no barato! Ouvimos o diálogo:

ELE: qual é mesmo o ouvido bom?
ELA: esse aqui.
ELE: ah, então senta do lado de cá.

Queria ser romântico a esse ponto!

terça-feira, 15 de outubro de 2002

Se você está estranhando esses nomes aí do lado, não se preocupe. Sou eu tentando criar links no meu blog. Como estou me virando sozinho, é um trabalho meio penoso.

Vamos ver...

segunda-feira, 14 de outubro de 2002

Pedro e a TV

Recomeçou o horário eleitoral. Será que alguém assiste àquele troço? Com essa pergunta na cabeça, angustiado por causa dos baixo ibope dos candidatos, em tempos de tv por assinatura, fui ver o que eles tinham para dizer. Eu e as minhas idéias idiotas. O que era o Lula?! Agradeceu o apoio dos outros dois candidatos que ficaram para trás no primeiro turno. Apresentou toda a tchurma do PT, que agora governaria com ele. Teve musiquinha, teve gente aplaudindo. Isso aí, um auditório repleto de petistas (Suplicy, Erundina, Jandira, que é do PC do B...) aplaudindo o barbudão, lá. E pior, fazendo o sinal do L, com a mão. Isso sempre me lembra o gesto americano de botar um L na testa, simbolizando "looser"...

Corte súbito, Regina Duarte na telinha. A namoradinha do Brasil vem dizer que tem medo. Não quer que as coisas mudem. Tadinha, tinha que ver a expressão de medo da senhora. E vem o carecão dizer que o Lula não está preparado, que foge dos debates igual o diabo foge da cruz... E tome ataque. De novo, uma lista interminável de pessoas que apoiam o governo Serra. De novo, ele não é o terceiro mandato do FHC. Alguém acredita nisso? Por outro lado, alguém duvida disso?

Um interminável blablablá eleitoreiro. Nenhuma proposta, de nenhum dos dois. Ninguém se compromete com nada. Sabe o que parece? Que não adianta em quem eu vou votar. Vai ganhar que "eles" querem que ganhe. Eu só queria saber quem são "eles". Alguém acha que o Lula virou, mesmo paz e amor? Alguém acha que ele vai resolver a dívida externa com duas canetadas, como prometido em campanhas anteriores? O Serra vai dar jeito na economia? Vai baixar o dólar? Francamente! Quem acredita que é o povo que decide quem ganha?

Em 94, elegemos um presidente de centro-esquerda. Em oito anos, ele foi cambando mais para o centro e, ultimamente, parece meio de direita. O país deixou de ser governado por juristas e passou a ser governado por economistas. Algo de errado? Não necessariamente. Agora, vamos votar em um Lula "novo". Um Lulinha paz e amor. Parece que estou vendo o FHC de oito anos atrás. A centro-esquerda voltando ao poder. Só não dá para fazer aquela propaganda das cinco metas do governo na mão do Lula, né?

De todo modo, passados os pensamentos de frustração com "isso tudo que taí", fui aproveitar os outros canais da tv paga. Passando os canais, vi um campeão de bilheteria. Um dos meus filmes favoritos: Godzilla! Se você acha que eu estou sendo irônico, enganou-se. Eu adoro filme B. Godzilla é a maior produção B do cinema americano. É muito engraçado. O roteiro é tudo que há de inverossímil (faltam umas cenas de sexo, eu acho...), a direção é risível, a atuação... Preciso falar da atuação? Mas os efeitos especiais e o tema são ótimos! O tema é perfeito prum filme B. O bom é que teve um orçamento alto e pôde pagar os efeitos.

Enfim, eu adoro a tv. Posso me indignar e me alienar em um espaço de tempo de 4 minutos. Onde mais?! Falando nisso, lá vou eu assistir Sex and the City. Recomendo a qualquer um. Mesmo que não signifique apenas o nome de um seriado!

domingo, 13 de outubro de 2002

Vocês podem imaginar como é difícil arranjar uma mochila de couro?! Estou atrás de um presente de aniversário para pedir para minha avó. Eu sou um cara difícil de dar presente. Quer dizer, todos os meus amigos sabem que, para me agradar, basta dar um livro. Eu vou ao delírio, mesmo que já tenha. Agora, avó é diferente. Ela gosta de ser lembrada. Gosta de se destacar. Coisas de leonina. Aí, bolei que quero uma daquelas super bacanas mochilas de couro. Combina com meu novo estilo casual urbano.

Eu entrei numa fase de couro da minha vida. Quero uma jaqueta nova, já que a minha tem 10 anos e não cabe mais em mim. Preciso enormemente de sapatos novos. Uma carteira também não seria má idéia... Mas a mochila... A mochila é um sonho de consumo antigo. E é super prática. O problema é o preço. Aliás, que problemão! Não posso comprar uma de R$ 65,00, nem de R$ 498,00. Não dá, né? Uma é ruim demais, a outra, cara demais.

Pior é que gostei da cara. De todas, é a que parece que vai durar mais. E couro bom passa de uma geração para outra! O problema é que é da Richard's e eu não ando disposto a pagar pela etiqueta. Eu procuro por outros fabricantes na internet e nada. Vou ter que dar um jeito. Sei que tem algo intermediário entre um preço e outro. O problema é que a maioria das intermediárias não são nada boas.

Odeio ficar em dilemas. Odeio vagar pela internet procurando as coisas e não encontrando. Será tão difícil achar uma mochila de couro com preço justo? Nem barato demais, nem caro demais? Se alguém conhecer outro alguém que está indo para a Argentina, por favor avise! Tenho encomiendas a fazer!